Selvagens Laranjas
"porque laranjas são os entardeceres, os incêndios e as agonias..." Museu do Imigrante, Bento Gonçalves · 22 de Setembro a 07 de Outubro, 2026Em Selvagens Laranjas, a matéria pictórica atinge sua combustão lírica mais intensa. Investigando o limiar onde a cor deixa de ser ornamento para se tornar estado de espírito, Daniela Possamai constrói pontes entre a tela e a palavra poética. No avesso de cada obra, os versos manuscritos convidam o observador a desvendar a intimidade dos entardeceres que ardem e das agonias que se transformam em beleza e permanência.
Passe o mouse ou toque na imagem para ver o reverso
DESPEDAÇOS
de todos os incêndios que vivera, só ficaram as brasas — suaves e altivas — como essas primaveras em pranto.
D. POSSAMAI
Passe o mouse ou toque na imagem para ver o reverso
ANTES DO ANOITECER
e antes que anoiteça eu quero te dizer o vocábulo trancado nesse coração em chamas —
amo-te..
D. POSSAMAI
Passe o mouse ou toque na imagem para ver o reverso
INUNDAÇÕES
desesperadamente chove neste universo inundado.. chovem os frios, os pés de laranja lima, as utopias de vestido... chove como se Deus despejasse de uma só vez todo o seu lamento..
D. POSSAMAI
Passe o mouse ou toque na imagem para ver o reverso
CORAÇÃO SELVAGEM
São sempre selvagens os corações em chamas.
"O meu lugar é onde você quer que ele seja"
D. POSSAMAI
Passe o mouse ou toque na imagem para ver o reverso
ALHEIOS INCENDIADOS
haverá técnicas, marcapassos, pinturas rupestres, cavernas..
haverá de tudo neste mundo (ou seria um desmundo?) de canalhas à grandes apostas de urânio..
nada, absolutamente nada substitui um coração que bate..
nada, nem ninguém impedirá uma lágrima de correr no rosto alheio..
D. POSSAMAI
Passe o mouse ou toque na imagem para ver o reverso
GÊNESE
O ponto de partida do gesto: a tinta pura lançada em fios e espasmos sobre a tela crua suspensa no espaço.
D. POSSAMAI
Passe o mouse ou toque na imagem para ver o reverso
DISTANTE INCENDIADO
ela olha o mar como quem investiga, a olho nu, suas próprias procelas..
e vê, ao longe, suas quilhas incendiadas, suas velas destruídas, suas bússolas desorientadas..
ela olha o mar como quem procura seus próprios naufrágios..
D. POSSAMAI
Passe o mouse ou toque na imagem para ver o reverso
RETRATO DE UMA JOVEM EM CHAMAS
Shakespeare fabricou com palavras todos os homens possíveis..
Eu que sou do impossível, fabrico lírios, ventos, pés de laranja lima..
a minha sina é produzir ecos, escolher sementes, pintar pergaminhos..
não sou dada a 'ismos'
a minha fé é a literatura, nela danço, salamandra mágica — a vida não arde sem grandes incêndios...
D. POSSAMAI · (VERSOS DE UM POEMA VESTIDO DE AVESSO)
Passe o mouse ou toque na imagem para ver o reverso
ANTES DO AMANHECER
e dos cinzas despertam os laranjas amanhecidos..
onde estaremos nós depois dos sussurros das cotovias?
D. POSSAMAI
Passe o mouse ou toque na imagem para ver o reverso
INCÊNDIOS
o que restará perdido de nós depois de um incêndio?
para onde iremos depois dessa combustão de corpos?
o que faremos os dois depois das selvagens labaredas?
D. POSSAMAI
Passe o mouse ou toque na imagem para ver o reverso
LABAREDAS
a vida é um incêndio — nela dançamos com nossos pés mais descalços...
e nos queimamos... e nos queimamos de novo..
e assim, ardendo e vivendo, florescerão nossas almas como margaridinhas brotadas das cinzas.
D. POSSAMAI
Passe o mouse ou toque na imagem para ver o reverso
INCONTROLÁVEIS LARANJAS
laranja, a labareda de um incêndio..
o furor s/ controle de um ser que nos diz adeus...
D. POSSAMAI
Passe o mouse ou toque na imagem para ver o reverso
INDOMÁVEIS LARANJAS
laranjas — essa confusão de não saber ser vermelho ou amarelo..
laranja — a violência obtusa de incendiar vísceras!!
D. POSSAMAI
Passe o mouse ou toque na imagem para ver o reverso
AÇORES
há um cansaço laranja e pálido nas quartas de espantosa cegueira, mas há também a surpresa de que a nossa estrada foi um longa e atropelada,
como o caminho para Ítaca deve ser, como também devem ser os amanheceres desse setembro agoniado..
D. POSSAMAI